• Cuidando de Quem Cuida

    Cuidando de Quem Cuida

    Wilson Albino Pereira

    À primeira vista, emoção, intuição e sensibilidade são palavras que descrevem o jeito de ser de @ramuslaemanueli, 31 anos, psicóloga clínica, hipnoterapeuta especializada em traumas, ansiedade e alteração do humor, e também pós-graduanda em neurociência afetiva. Foi a suavidade da voz que ditou o tom, enquanto os gestos e os sorrisos humanistas, respectivamente, acolheram e apontaram o rumo da palestra. Tudo isto e muito mais fez parte da programação do dia 17/07/2025, quinta-feira, na sala de vídeo na da Escola Municipal Professora Ana Guedes Vieira em Nova Contagem.

    A roda de conversa, que teve como tema principal: “Cuidando de Cuida”, trouxe por meio de uma linguagem muto acessível, um assunto delicado: a saúde mental de quem tem como missão cuidar, proteger e zelar pelo bem estar de filhos diagnosticados com (TEA) transtorno do espectro autista, ou (TOD) Transtorno Opositivo Desafiador, ou (TDAH) Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade dentre outros. A psicóloga falou sobre a importância dos responsáveis buscarem uma rede de apoio dentro da própria família.

    Houve diversos bons momentos durante a palestra, mas tanto as técnicas de respiração, que de acordo com a psicóloga, possuem bases cientificas e são ferramentas poderosas para a regulação emocional, quanto o ato de abraçar-se consigo e se sentir seguro, trouxeram acalentos por meio da experimentação.  Contudo, a partilha das vivências, das experiências e da dura realidade de cada família, fez brotar lágrimas em muitos olhares.  

    Em entrevista, Ramusla reforçou a importância da fé (espitualidade) aliada à neurociência.  “O uso de psicotrópicos devidamente receitados pelos médicos é de extrema importância. Embora ainda haja alguns tabus”, informa e continua, “ela (a medicação) em alguns momentos é essencial, pois não substitui a psicoterapia e pode ser uma grande aliada nas horas de fragilidade emocional”, conclui.

    Ao final da palestra, fiquei pensando nos males causados por estes acelerados tempos ultramodernos, na falta de empatia e nas incontáveis formas de intolerância. O homem, que já explorou as profundezas marítimas, o solo lunar e domina diversas fontes de energia ainda desconhece ou não entende bem os sentimentos, medos e desejos que trazem dentro de si. Mais do que nunca é a hora e a vez de quem cuida se perguntar: como estou me sentindo hoje?­­­­

    P.S:.  A Psicóloga aceitou o convite que foi realizado pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), que é um serviço complementar ou suplementar ao ensino regular, oferecido a alunos com deficiência e transtornos globais.

  • Início – Cacos De Um Memorial

    Início – Cacos De Um Memorial

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    Sou o único filho de uma união à moda antiga, ou seja, machismo predominante e condescendência feminina.

    Meus pais não estudaram, mas ainda assim, transbordavam conhecimentos. Eram donos de outros saberes. Foram eles meus primeiros professores.

    Certa noite, ganhei de presente uma cartilha de nome “Caminho Suave.” À luz da lamparina descobri uma coisa: o que une gente e livro tem nome – magia. Por isso considero a leitura minha cruz… minha luz… minha delícia.

    Vivi em áreas rurais. Lugares longínquos de escolas. Só iniciei o primário, definitivamente, aos dez anos.

    Em minha meninice houve períodos difíceis, épocas de privações alimentares, inclusive. Mas, em todo tempo, tive saciada minha fome de literatura. Contudo, quem de fato lançou a semente literária em meu coração foi uma professora de nome Tania Soares França Martins . Ela formou leitores em minha turma quando pediu que sentíssemos os livros, e, que estes eram ótimos amigos… Ela falara a verdade.

    Hoje, minha pele já não tem a mesma elasticidade d’antes, há rugas em torno dos meus olhos e minhas têmporas estão cobertas por cabelos grisalhos.

    Já sei… já sei… enquanto muitos profissionais já estão com suas carreiras consolidadas, vidas estabilizadas e muitos sonhos realizados, eu ainda semeio letras nas brisas, cultivo lavouras de narrativas e alegro-me ao ver germinar, florescer e frutificar as minhas tantas histórias https://dusoutros.wordpress.com/.

    Ah!!! E, por favor, sem essa de dizer: “no meu tempo…” Enquanto houver boas histórias para contar, meu espaço é aqui, e meu tempo, agora.

  • É Culpa do Tempo

    É Culpa do Tempo

    Encontrei, por acaso, um álbum com fotos minhas e de colegas do período escolar.  Poxa! O tempo passou tão rápido que nem percebi… Ainda mantenho contato com alguns camaradas daquela época. Os poucos, às vezes, noticiam sobre os demais. Soube, por exemplo, que alguns se casaram e tiveram filhos. Outros, por motivos diversos preferiram a vida de solteiro mesmo. Soube também que dois amigos, tal qual afirma Rolando Boldrin, “viajaram fora do combinado,” morreram jovens demais. Enquanto olhava as fotografias evoquei o passado.  Rememorei pedaços desconexos de fatos, falas e expressões faciais… Resquícios da vida estudantil. Nossos corações valentes tinham sonhos e temores. Mal sabíamos que, problemas de verdade ainda estavam por vir. Em 20 anos mudei muito. meu riso ficou mais contido, meu olhar mais lacrimoso, meus dizeres mais dosados… Ainda bem que isso não vale para todos. Bom… Sei que em duas décadas mudei tanto que, se a gente se esbarrar qualquer dia desses e, não nos reconhecermos mutuamente… É tudo culpa do tempo.

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    Trabalho de Português… Tocamos a música Indignação do Skank

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    3º Ano do 2º grau…

  • Lágrimas Itálicas

    Lágrimas Itálicas

    Wilson Albino Pereira

    Certa vez, vi um estrangeiro perdido em BH. Ele era italiano.  os olhos úmidos pediam ajuda. Percebi seu medo…  Perguntei-me: será mesmo que no princípio o mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras? E, se falava, erros eram evitados? Conflitos mediados? Vidas poupadas? impossível saber… Prefiro crer ao menos que a língua era ponte ao invés de barreira.

    O italiano assustado me fez pensar em alguns de seus compatriotas ancestrais.  Estes sim vivenciaram um drama na capital das alterosas. Foram atraídos por viagem gratuita e ajuda de custo. Vinham iludidos, e, acabavam arrebanhados no Curral del-Rei. Que pena! Muitos acabaram traídos por seus próprios sonhos.

    Os recém-chegados ficavam desconfortáveis em “hospedarias de emigrantes”.  A condição ruim piorou muito. A crise financeira impediu o governo de apoiar estrangeiros. Findadas as obras na cidade jardim, os italianos possuidores de capital iniciaram negócios. Quem era pobre partiu rumo às áreas rurais, ou foram residir em aglomerados.

    Até tentei. Entretanto, não consegui imaginar o que poderia ser pior: Deixar a terra natal sem esperança de regressar um dia, ou abandonar-se em solo estrangeiro, e, trava diariamente a batalha das línguas, como se o mundo fosse uma  interminável torre de babel.

    P.S:. Tardou quase nada até que,Liberdade_em_equilíbrio_-_monumento_construído_por_Mary_Vieira_(1)[1] o italiano perdido fosse encontrado.

  • O Mesmíssimo Destino

    O Mesmíssimo Destino

     

     

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    “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; […]”

     1 Coríntios 13:11

     

    Náusea. Foi isso que senti ontem, 29 de novembro de 2015, ao assistir a uma reportagem sobre atos desumanos. O tema era violência, mas havia entre uma cena e outra racismo, xenofobia, intolerância e estupidez.

    É repulsivo demais… é triste demais saber que um grupo de seres humanos esfaquearam, apedrejaram e açoitaram outro ser humano até a morte.

    Ao tomar conhecimento sobre o caso de um haitiano que sofreu agressões em Santa Catarina, e,  os carrascos, em sua maioria, eram jovens que, não completaram 18 anos ainda, senti medo, indignação e vergonha destes meus compatriotas idiotas…

    Quanta ignorância! Quanta ferocidade! Estes e muitos outros jovens fingem não saber que, após a morte, se, antes não forem cremados, os corpos passarão pelo mesmo processo de decomposição, e, depois dos ossos descarnados é quase impossível realizar certas identificações.

    Que bom seria se o povo se conscientizasse de uma vez por todas que, brasileiros, haitianos, palestinos, israelenses, ou indivíduos de qualquer outra nacionalidade, gentes endinheiradas, ou paupérrimas, após o desenterro, inevitavelmente terão o mesmíssimo destino – ficar amontoado dentro do ossuário geral de um cemitério qualquer.

  • Na encruzilhada dos sentimentos

    foto de arquivo

    Por Wilson Albino Pereira

    Cavaleiro solitário, último trabalho de Gonzaguinha, e sua segunda produção independente, teve lançamento póstumo, pois o artista morreu durante uma turnê pelo sul do Brasil, em abril de 1991. O motivo: uma caminhonete Chevrolet F400 no meio do caminho.

    Ao final do texto, talvez você sinta vontade de ouvir as músicas deste CD, há ‘aboios’ e letras que fogem ao padrão gramatical. Portanto, despir-se dos preconceitos linguísticos, rítmicos e poéticos é condição essencial a quem se dispuser a mergulhar fundo nesse mar, ora agitado, ora estável, mas, sempre repleto das mais controversas emoções.

    Depois que se aperta o play, ouve-se três segundos de aplausos, e, nos 50 minutos subsequentes, a sensação que se tem é de que o som ganha cor, sabor e fragrância. A voz de Gonzaguinha e a sonoridade do violão se entrelaçam, e dessa cumplicidade brotam louvores ao amor, ao humanismo e à vida. O disco reúne partes de dois shows, um realizado em Belo Horizonte, outro em Brasília.

    O CD contém apenas 12 faixas, a maior parte feita de sucessos consagrados por intérpretes bastante conhecidas, como Maria Bethânia e Simone. Algumas canções remetem a dilemas e paixões, o que provoca a sensação de que foram compostas ontem. É o caso de ‘Um homem também chora’, faixa 3, cuja letra aponta o carinho e o trabalho como sendo coisas indispensáveis à vida de qualquer ser humano.

    Na faixa 3, há mais duas canções atemporais. ‘É’, por exemplo, deixa transparecer o ponto de vista político, o que o artista considerava primordial para favorecimento da coletividade. “Gonzaguinha era um companheiro das esquerdas”, tal qual, afirmou o ex-presidente Lula. A outra música ‘O que é o que é’, tem a ver com o significado e a importância da vida para cada um.

    Já, em ‘Gentileza’, canção que ocupa a faixa 5, Gonzaguinha, antes de cantar, explica ao público por que fez a música. Trata-se de uma homenagem a um pai de família que perdeu esposa e filhos em um incêndio, e que depois do ocorrido, viveu para apenas para distribuir flores e pregar o amor a toda gente.

    Fotografia é o nome da faixa de número 7. É mesmo um retrato das lembranças infantis. As imagens evocadas pela letra contrapõem alegrias e tristezas, já que o Morro de São Carlos, lugar onde Gonzaguinha passou parte da meninice, era o espaço da liberdade, mas também, era um lugar onde ocorriam violências diversas.

    “[…] chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar, e se perder e se achar […]” este é um trecho de ‘Não dá mais para segurar’, também conhecida como ‘Explode coração’, faixa 11. Nesta canção, dúvidas e certezas se defrontam e, entrecruzam-se, e por vezes colidem-se. Talvez, seja esta a encruzilhada de sentimentos que nos revele um Gonzaguinha diferente daquele vencedor de  festivais universitários e militante político. O artista que foi capaz, inclusive, de realizar shows no ABC Paulista, a fim de arrecadar fundos para fortalecer as lutas sindicais.

    Os fãs de Gonzaguinha, ao ouvirem o bolero nostálgico e suave ‘Começaria tudo outra vez’, faixa 12, a última música do CD, talvez, perguntem: e se naquela manhã de segunda, 29 abril, Gonzaguinha não tivesse assumido a direção do Monza SE, cor bordô, ano 1990? E se tivesse escolhido outra BR, que não fosse a 280, quilômetro 181? E se a velocidade do veículo na hora da batida não fosse 150 km/h? E, se uma caminhonete F400, branca, 1980, não tivesse cruzado o seu caminho?  E se a colisão de frente não tivesse causado a fratura da primeira e da segunda vertebras da coluna cervical? E se as costelas quebradas não tivessem lhe perfurado os pulmões? E se a causa mortis não tivesse sido secção de medula e traumatismo craniano? Será que Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, o Gonzaguinha, completaria 70 anos no dia 22 de setembro de 2015?

    ‘E’ e ‘Se’, são dois operadores argumentativos. O primeiro é de adição, soma a favor de uma mesmo conclusão. O segundo é de condição, indica uma hipótese para a realização ou não de um fato qualquer. São sinais gráficos pequeninos, mas, lado a lado auxiliam na criação de perguntas, às quais, provavelmente, nunca ninguém obterá respostas.

     Minhas histórias dusoutros,

  • Em algum lugar do passado

    Em algum lugar do passado

    Minhas histórias dusoutros,
    Minhas histórias dusoutros,

    Por:Wilson Albino Pereira

    O humor inteligente e brasileiríssimo é quem dita o tom na terra estrangeira.  Talvez, por isso, o livro Trançando New York, escrito por Luis Fernando Veríssimo seja importante. Os textos reunidos neste volume foram escritos entre agosto de 1980 e fevereiro de 1981, quando Veríssimo era correspondente internacional do jornal Zero Hora.

    Algumas crônicas apresentam os aspectos arquitetônicos, sociais ou culturais relevantes na metrópole. Tanto a vida particular dos cidadãos nova-iorquinos – pg 60, quanto cotidiano daqueles que emigraram em busca da terra prometida – pg 57, nada escapa à curiosidade do jornalista. O escritor descortina o dia a dia de alguns dos moradores de Nova York, que, no fundo, como o próprio escritor afirma na última linha da página 15 – “é uma cidade pequena.”

    Nenhuma das 37 crônicas têm o mesmo nome que o livro. Na verdade, o que justifica o título são as 56 ilustrações que o artista plástico e também jornalista Joaquim da Fonseca fez utilizando apenas papel uma caneta esferográfica. Ainda que a técnica e os materiais utilizados por Fonseca sejam simples, os traços formam figuras ricas em detalhes.

    Não é exagero afirmar que a linguagem utilizada por Veríssimo possui um misto de visgo e laço. A ótica pela qual alguns assuntos delicados são abordados, os desfechos inimagináveis das crônicas e o jeito de escrever pouco e conseguir dizer muito entre linhas, tudo é muito convidativo.

    Veríssimo tenta fazer-se entender por meio de uma linguagem bem familiar. Porém, para que haja sucesso na comunicação, o conhecimento de mundo que o leitor traz consigo, ou seja, sua bagagem cultural, é imprescindível. Os elementos lingüísticos, como as intertextualidades e os implícitos, apenas “são flagrados” se o leitor entender que o encadeamento de ideias existentes no interior texto é coerente.

    O escritor sempre “avizinha-se” de seu leitor. Principalmente daquele não faz parte da elite. Isso ocorre, por exemplo, quando o jornalista utilizou o gerúndio do verbo “traçar”. Numa linguagem menos formal, o que não significa desobediência às regras gramaticais, traçar e comer são equivalentes. É bom lembrar que tais palavras também podem estar ligadas ao sentido sexual, dependendo do contexto evidentemente.

    Os leitores percebem que Veríssimo é um jornalista que ouve as fontes, interpreta os fatos e organiza as informações. Quem está lendo essa resenha agora deve estar pensando: Poxa! Mas isso é o mínimo que se espera de um jornalista! Contudo, ao contrário dos outros profissionais da informação, Veríssimo é sutil quando exerce em seus textos, os seus escassos e imaginários momentos de poder.

    Qual show está em cartaz? Quais são os restaurantes mais luxuosos? Quais os cafés mais chinfrins? Qual é a variação de preços? É de tais assuntos que trata a crônica da página 17 – Espetáculos. A tipologia (guia) o e gênero (crônica) aparecem fundidos no mesmo texto.  Durante uma leitura agradável, o leitor quase não se dá conta de que está diante de uma agenda cultural.

    Em certos momentos, o cronista descansa o humor e foca em acontecimentos perturbadores e tristes, como “um ‘esfaqueador’ louco no meio da multidão” – pg 105, ou coisas belas como o inverno, que segundo Veríssimo, é tão rigoroso que quem sai à rua desprotegido, “corre o risco de perder as orelhas” – pg101, ou o outono, época do ano na qual “a cor das folhas das arvores vão do verde limão ao mais escandaloso rosa” – pg 71.

    Na página 134, a crônica – Até O Próximo, deixa o leitor ainda mais íntimo do cronista. Meio à invencionices do escritor como a – que Frank Sinatra não mais seria embaixador na Itália, mas, que um dueto com o Papa já estava confirmado, Veríssimo chega a revelar que sua filha mais velha é babá, e que seu filho mais novo jura que entendeu tudo o que disse papai Noel ao telefone– Rô, rô, rô.

    O universo estrangeiro que Veríssimo constrói por meio das palavras sintoniza o leitor e a estação climática numa mesma frequência. Por meio das narrativas é quase possível tocar as árvores que semanas antes chegaram a exibir copas majestosas, no outono transmutaram as cores, no inverno se abreviaram resumindo-se a caules e galho despidos. Já a violência urbana e o centro de múltiplos acontecimentos culturais daquela época, ainda hoje seguem inabaláveis.

    As críticas e as preocupações do escritor à cerca de maníacos à solta nas ruas em 1980 são ingênuas, se comparados aos atos terroristas praticados por fanáticos e loucos atualmente. Além do humor inteligente que dita o tom em terra estrangeira, talvez, o livro escrito por Veríssimo seja importante porque aviva as memórias de quem viveu, ainda que por algum tempo, na cidade mais populosa dos Estados Unidos. Ao trazer para o presente as recordações dos outonos e invernos que, de tão distantes, não passam hoje de pó no pó, o livro de crônicas de Veríssimo deixa como legado ao menos uma dúvida – será que há 35 anos os habitantes da Big Apple não eram mais felizes?

  • Ler é fazer amor

    Ler é fazer amor

    Minhas histórias dusoutros,
    Minhas histórias dusoutros,

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  • AMORES ILEGAIS

    AMORES ILEGAIS

    Minhas histórias dusoutros,

    Por:Wilson Albino Pereira

    Depois que uma labareda se alastra não tem mais solução. Nesse aspecto, paixão e fogo se assemelham. Talvez seja por isso que arrebatados pelo desejo, homem e mulher se entregam frenéticos e insaciavelmente ao sexo.

    Nessas loucas relações só uma regra prevalece: não há regras. Porém, tudo que é celebrado entre quatro paredes, pode nascer e acabar pelos mesmos motivos – interesses, mentiras e omissões.

    Tornar-se eternamente a ‘outra’, pode ser a sina de quem assume o complexo papel de amante. Sob pseudônimos, algumas mulheres revelaram pedaços felizes e cacos “perfuro-cortantes” de suas histórias. Os sorrisos, as vozes embargadas e as lágrimas durante as entrevistas são provas de que recordar é mesmo viver.

    VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR

    Glaura, 30 anos, foi a primeira entrevistada. Ocupação: garota de programa.  Ela acreditava que profissionais do sexo só, prestavam serviços, até se apaixonar por um cliente. “Ele era diferente. Tão gentil e cheiroso!” Vestidos no quarto, falavam de tudo.

    Glaura disse que ele pagou algumas vezes só para conversar. “Um dia, me deu flores e chocolate. Nessa ocasião ficamos abraçados e mudos durante um tempão. Nesse mesmo dia que ele me chamou para ir a Ouro Preto. Aceitei, pois eu já estava a fim dele”.

    Mesmo fazendo de 30 a 35 programas por dia, nos fins de semana, Glaura era exclusiva de seu bem.  “Eu topava fazer o que ele pedisse. A seu lado eu me sentia amada, cuidada, protegida…”

    O relacionamento chegou ao fim depois de dois anos. “Ele me falou que morava com uma pessoa havia tempos, que estávamos errados, e, por fim, que iria se casar em breve. Me senti um lixo, humilhada, trocada e traída. Propus que ficasse com ela e comigo, mas, ele rejeitou. Implorei, chorei, ameacei contar sobre a gente, mas,  não adiantou… Depois disso me desiludi”,  relata com olhos lacrimejados.

    TRÊS É DEMAIS

    Marília, 26 anos, é a segunda entrevistada. Formada em Letras, trabalha hoje como assistente administrativa. Ao tomar um táxi no sentido Centro\bairro, o motorista puxou conversa, mas ela não rendeu assunto. Notou que durante o trajeto ele a espionava pelo retrovisor.

    Marília achou estranhou quando passou a vê-lo frequentemente. Mais tarde descobriu que ele era casado e morava a  cinco  quarteirões de sua casa. “Numa sexta-feira, enquanto  esperava ônibus, ele estacionou o táxi e perguntou se eu estava indo para casa. Disse que estava. Então entra aqui, ele falou.

    Entrei receosa, e, um minuto depois começou o interrogatório. Ele perguntou meu nome, minha idade, se eu tinha namorado, se eu bebia.  Pensei – que chatice!”.

    “De repente  parou o carro e me tacou um beijo na boca… Fiquei sem fôlego”, conta  de olhos fechados. “Naquela mesma noite ele quis sair comigo. Pensei na mulher dele, imaginei que isso podia dar rolo. Eu disse ‘não’, mas, querendo dizer ‘sim’.

    Ela se considerava Inexperiente na cama. E  cheia de pudores. “Tive medo de não corresponder às expectativas” afirma. Dias depois recebeu novo convite, e, dessa vez aceitou e não se arrependeu.

    Foi a primeira vez que ela sentiu seu sexo tocado pela língua de um homem. “Senti prazer como nunca! Ele fazia umas coisas comigo… Bom demais fazer amor com ele viu?!”, comenta saudosa.

    Como não há mal que nunca se acaba ou bem que dure  eternamente, depois de um ano, tudo chegou ao fim. “Descobri que ele tinha se envolvido com uma terceira mulher. Quando o questionei, ele deu de ombros, disse que nunca havia me prometido nada. Sofri calada. Mas, aprendi a lição.”

    DUPLAMENTE ENGANADA

    Aos 40, e no auge. Assim se sente Rosa. Ela procura se manter ocupada, malha, trabalha e estuda de segunda a sábado. E, está a um passo de realizar um de seus maiores sonhos, tornar-se advogada.

    Rosa fala sobre um relacionamento conturbado. “Nós nos conhecemos numa festa. Fomos apresentados por um amigo em comum. Varamos a madrugada conversando. Se eu dizia que gostava de uma  música, comida ou filme,  ele dizia que nossos gostos eram idênticos… falsidade pura!” diz admirada.

    “Hoje, tenho consciência de que ele atuava todo tempo. Mas, quando a gente se apaixona, enlouquece”,  afirma.  “Ele foi o meu primeiro. Ir para cama nem era lá essas coisas… O que me agradava era a companhia dele, o cheiro, a voz, o toque, o riso” relembra.

    “Depois de uns meses, o amante começou a me pedir dinheiro emprestado. Como imaginava ter encontrado minha alma gêmea, nunca fiz objeções. Eu sempre ouvia dele promessas de que nos casaríamos, teríamos filhos e seríamos felizes”. Contudo, o tempo foi passando e nada de casório.

    “Um dia vi uma foto em sua carteira, pressionei, e ele confessou.  Fiquei furiosa quando descobri que  já era casado e tinha filhos,”  diz. “Ele sempre dizia que estava mobiliando um apartamento para gente… ‘Vai ser nosso cantinho, amor’. Perdi a conta de quantos empréstimos eu fiz e entreguei em suas mãos.

    Depressiva, fiquei meses sem sair de casa. Não pude contar para minha família. Se a sociedade vê a ‘outra’ como vadia, vagabunda e destruidora de lares, imagina o que meus pais pensariam?”, conclui.

    O fato de não poder desabafar aumentou a angústia de Rosa.  Eu pensava 24 horas no ocorrido. Por pouco não perco o juízo. Se eu pudesse retroceder no tempo, faria diferente.

    As poucas coisas boas que vivenciei foram apagadas.  Senti tanta dor! Nem sei  como suportei. Por um longo período, a música Andança; foi meu tema. Sabe aquele trecho? – “Por onde for que ser seu par”. Pois é. Era impossível ouvir sem desabar no choro. Hoje, mantenho corpo, mente e espírito ocupados, afirma esperançosa.

  • Amador¹

    Amador¹

    Minhas histórias dusoutros,
    Minhas histórias dusoutros,

    O Sr. José Geraldo Amaral é sereníssimo e cauteloso, sobretudo, com os dizeres. Desconfio que ele escolha por peso suas palavras, e nelas meta rédea, sela e espora. Governa sua língua, pois não gosta de ofender quem quer que seja.

    Acostumado aos rigores da vida no campo, se desdobrou ora na capina, semeadura e colheita, ora na ordenha e fabricação de queijos meia cura.

    Hoje, aos setenta e oito anos, se dedica a algo que ama, ouvir comodamente seu rádio, independente de dia e hora.

    Já dialogamos muito, e, em nossas intermináveis confabulações, ouço, de quando em vez, umas histórias repetidas. Ouço atento e me surpreendo toda vez, porque coleciono detalhes.

    Fala-me de aventuras sertanejas, nas quais, já teve a rótula direita partida ao meio por causa do coice de uma vaca teimosa. Já contou-me que, quase já foi ofendido por cobras, porém, não teve a mesmo sorte com escorpiões. revelou umas injustiças ocorridas nos confins de Araçauaí, seu interior, tal qual sempre afirma, e, de como a vida no campo exige disposição ‘du cabocô’.

    Sr. José só exita em falar dos mortos. Diz: Quem vai, é pra ‘discansá’. Assim seno – qui discasa em paiz!

    Segredou-me que não há do que se arrepender, inclusive, se, lhe fosse dada outra chance no amanhecer da vida… talvez aceitaria cuidar de novo do chão. Talvez, até andaria, mais vezes, entre serpentes, escorpiões e bem-te-vis.

    1 – a.ma.dor(ô)

    Adjetivo.
    1. Amante (1).
    2. Que se dedica a arte ou ofício por prazer, não por profissão.
    3. Diz-se da arte ou ofício praticado por amadores: teatro amador.

  • Um Tal de Pascoal

    Um Tal de Pascoal

    Por: Wilson Albino Pereira

    Milton Teodoro da Silva, o Pascoal*,  estreou na vida na sexta-feira, 5 de Fevereiro de 1960. É fruto da união entre o Sr. Francisco Teodoro da Silva e Dona Sebastiana Maria da Silva.  Nasceu em Lavras, sul de Minas Gerais, onde viveu até a adolescência.

    O humorista, quando criança, adorava imitar as personagens da “Praça da Alegria”, hoje “A Praça é Nossa”. Cresceu vendo na TV, Renato Aragão e O Gordo E O Magro. Acompanhou a época áurea dos festivais de música, e, vivenciou os tempos sufocantes da ditadura militar.

    Dirigir é sua terapia. Já foi caminhoneiro, motorista de ambulância e instrutor de autoescola. Pascoal acredita que ao volante surgem  boas ideias.  Afirma que dirigir é automático e prazeroso.

    Pela leitura, Milton Teodoro da Silva, revela que tem amor, pois desde criança lê muito. Afirmou que acumula conhecimentos e, que, depois de absorver os saberes dispostos nos materiais, faz questão de doar tudo para bibliotecas píblicas.

    O inicio de sua carreira se deu após ouvir no rádio uma piada mal contada. Em seguida ele ofereceu-se para repetir na rádio, a mesma anedota, entretanto, adicionou emoção à história.  Foi um sucesso. Em pouco tempo tornou-se operador  da mesa de som.

    Tempos depois, Milton foi convidado para trabalhar em uma rádio em Nepomuceno. Em 1982 mudou-se para BH. A ideia era iniciar suas atividades na Rádio Cultura, ou melhor dizendo, na rádio EXTRA FM, que devido algumas questões burocráticas, só entrou no ar em 1987.

    Até que a rádio EXTRA FM iniciasse regularmente suas transmissões, Pascoal inaugurou outras duas Rádios, a Terra, da qual o cantor Roberto Calos era sócio, e a rádio  Antena 1.  Época em que surgiram as ideias embrionárias para compor um programa que é sucesso há 26 anos.

    No final da década de 1980 o Brasil vivenciou intensas mudanças políticas. Meio às Diretas já e à Nova Constituição, Milton Teodoro da Silva deu início ao programa mais irreverente e inteligente de todos os tempos –  O Acorda Pascoal .

    O programa trazia as marcas de seu criador: era versátil, inovador e despretensioso.  Além de divertir e informar também conscientizava o cidadão.  Tudo isso, mais músicas e piadas talvez façam parte da fórmula do sucesso que agradou a um público composto por todas as idades.

    Além de apreciar pão de queijo e frango com quiabo, Milton Teodoro da Silva  também traz outras mineiridades:  Valoriza e celebra as amizades, luta por boas causas e fala o que pensa. Sempre fez da honestidade sua maior bandeira. O radialista extraordinário com 39 anos de carreira, o formador ou o transformador de opiniões, o pai amoroso, o marido dedicadíssimo, o cidadão cumpridor de seus deveres, sonhador incorrigível, o torcedor do Fabril Esporte Clube, o homem Milton Teodoro da Silva é antes de tudo um guerreiro incondicional, e que atravessou os medos, anunciou, enfrentou e venceu com honrarias e glórias  o temido câncer, além é claro, encorajou milhares a proceder igual

    * O nome Pascoal foi inspirado no LP do Evandro Mesquita, lançado em 1986.

  • Prata da Casa ou As Vitórias da Madame

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    Foto: Wilson Albino Peereira

    A mão que no passado esteve calejada por causa da lida rural é a mesma que hoje se vale da caneta na hora das anotações. Lúcia de Lacerda Coelho Paula, 51, aprendeu cultivando lavouras que, a vida é um eterno cuidar.

    ‘A madame’, como é  carinhosamente chamada por sua equipe, trabalha no UNI-BH, Centro Universitário de Belo horizonte há 22 anos. “Aqui preparei o solo, lancei as sementes e acompanhei o germinar de minha nova história”, diz.

    Iniciou suas atividades profissionais ainda na época FAFI-BH. Era contratada como telefonista, mas, prontificava-se em substituir a secretária, a auxiliar de serviços gerais e, até o porteiro sempre que necessário.

    Lúcia é Graduada em Gestão de RH, atualmente é a líder da Infraestrutura no Campus Antonio Carlos. Perguntada para que serve o setor ao qual lidera, responde que: “Serve para servir, já que valoriza, respeita e cuida bem do efetivo pessoal e da estrutura física”.

    Além disso, a ‘Infra’, torna o ambiente mais aconchegante para os alunos, professores e funcionários. Lucia é muitíssimo grata à bolsa de estudos oferecida pela faculdade. “É graças a este incentivo do UNI-BH que telefonistas se transformam em gestoras, porteiros em engenheiros, ou auxiliares de limpeza em designers, tal qual ousaram sonhar um dia”.