Capítulo 5

Cheio de vazio

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Sentado na rede… O olhar vago… Nem se deu conta de que o outono havia chegado. Enquanto pensava nas árvores exibidoras de copas majestosas que, ao final, se abreviam e se resumem a caules e galhos despidos voluntariamente… Ouviu palmas. Era seu padrinho que chegava para vista-lo.

-Ô ‘padrin’ Quanto tempo! ‘A Bença’

-Deus abençoa!  Escuta: que passava nessa cabeça ainda agora? Fiquei um tampão aqui e você nem percebeu.

– Tanta coisa… Mas… Padrinho: já viu como as folhas mortas muito lembram o fim da vida humana?

-Não, uai!

 

Olha só: As folhas recém caídas ou as que já caíram há muito tempo, tais quais os finados, tanto reprisam quanto preveem o fim de um ciclo. As folhas e os defuntos enterrados no chão se misturam às lembranças de épocas muitos distantes, e, no pó aguardam a chegada de outros tempos que vão trazer consigo as folhagens, sementes e gentes que nem germinaram, floresceram ou frutificaram ainda.

 

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Meu afilhado amado… Acho mesmo que você não ta bem… Seria bom você sair deste lugar por uns tempos… Vá viajar. Vá distrair a mente. Eu cuido de tudo para você.

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Continua no capítulo 6…