
Sou o único filho de uma união à moda antiga, ou seja, machismo predominante e condescendência feminina.
Meus pais não estudaram, mas ainda assim, transbordavam conhecimentos. Eram donos de outros saberes. Foram eles meus primeiros professores.
Certa noite, ganhei de presente uma cartilha de nome “Caminho Suave”. À luz da lamparina descobri uma coisa: o que une gente e livro tem nome – magia. Por isso considero a leitura minha cruz… minha luz… minha delícia.
Vivi em áreas rurais. Lugares longínquos de escolas. Só iniciei o primário, definitivamente, aos dez anos.
Em minha meninice houve períodos difíceis, épocas de privações alimentares, inclusive. Mas, em todo tempo, tive saciada minha fome de literatura. Contudo, quem de fato lançou a semente literária em meu coração foi uma professora de nome Tânia. Ela formou leitores em minha sala quando pediu que sentíssemos os livros, e que estes eram ótimos amigos… Ela falara a verdade.
Hoje, minha pele já não tem a mesma elasticidade d’antes, há rugas em torno dos meus olhos e minhas têmporas estão cobertas por cabelos grisalhos.
Já sei… já sei… enquanto muitos profissionais já estão com suas carreiras consolidadas, vidas estabilizadas e muitos sonhos realizados e ainda busco vaga no mercado de trabalho.
Entretanto, semeio imagens nas brisas, cultivo lavouras de narrativas e alegro-me ao ver germinar, florescer e frutificar as minhas tantas histórias dusoutros.
Nasci em 23 de julho de 1976, já fui caseiro, office boy, porteiro, vigilante e vendedor, estagiário. Hoje, sou um fotógrafo à caça de trabalho.
Ah!!! E, por favor, sem essa de dizer: “no meu tempo…” Enquanto houver boas histórias para contar, meu espaço é aqui, e meu tempo, agora
