A Intimidade do Chão de Fábrica

Por: Wilson Albino Pereira

Sob a direção de Leon Hirszman e baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri produziu-se uma jóia cinematográfica: Eles não usam Black Tie. No elenco, Fernanda Monte Negro, Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes, Milton Gonçalves, Francisco Milani entre outros. O filme venceu em 1981, todos festivais na França, Itália, Cuba, Espanha, Colômbia e Brasil.
O gênero é drama, tem 120 minutos de duração e promove uma gama de debates devido os múltiplos assuntos imbricados na mesma obra. O filme traz para discussão assuntos importantes, como a formação de caráter do indivíduo que, nasce no seio da família nuclear, aquela constituída por pai, mãe e filhos. Também são discutidas questões relacionadas à gravidez não planejada e aborto.
Outros temas contextualizados no filme são estes: as péssimas condições de moradia nas favelas sem qualquer infraestrutura, a falta de dinheiro por causa da recessão, a violência urbana representada nos latrocínios, a industrialização e o poder capital das empresas multinacionais, a tortura física praticada pela polícia contra trabalhadores e moradores das comunidades carentes, e, talvez o ponto mais importante – a dialética entre membros da classe trabalhadora considerada “chão de fabrica.”
O profissionalismo do elenco enriquece os personagens envolvidos nos temas de relevância universal. O sindicalismo, por exemplo, que tem a greve como uma forma essencial de luta do proletariado, no filme, sofre a influência das paixões. Nascem, a partir disso, sucessivos embates, nos quais a alienação e a coletividade estão presentes todo o tempo. Há conquistas no filme? Sim. Mas, tal qual na vida real, às vezes, quem promove transformações ao semear esperança de que dias melhores virão, se sacrifica, paga com a própria vida tais ousadias.

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