Por: Wilson Albino Pereira
O ônibus estacionou, ingressei. E, tão logo transpus a roleta, ocupei um lugar e saquei um livro. É rotina, levo meus livros até para meus sonhos. Antes que eu iniciasse a leitura, uma mulher que estava sentada ao meu lado exteriorizou um pensamento: “Jorge Amado? Ai, que preguiça!”
Cogitei a hipótese de ignorar as duas, a opinião e a pessoa que a emitira, mas ao invés disso, “me vesti e me armei com as roupas e as armas de Jorge”. Perguntei: “qual é problema, hen?”, surpresa com minha reação, ela respondeu minha pergunta com outras: “Ãh?” “Problema?” Notei que nem ela havia se dado conta de que fora preconceituosa.
Não demorou nadinha até eu principiar um discurso em louvor de Jorge Amado. Apoderei-me da palavra e não deixei vãos que permitissem confrontos. Em meia hora defendi que Jorge Amado, em seus romances, preocupara-se em eternizar tipos marginalizados, dentre os quais, prostitutas, alcóolatras, loucos, analfabetos etc
Há críticos que não curtem a literatura de Jorge Amado – paciência, só lamento. Contudo, ninguém pode negar que, este baiano nascido em 1912 fora perseguido, exilado e preso por causa de seu posicionamento político. Ninguém pode negar que ele denunciou barbáries praticadas pelos coronéis latifundiários das fazendas cacaueiras contra os trabalhadores rurais e seus familiares mantidos na mais absoluta miséria. Os Relatos de crimes como estupros, incestos, homicídios, compra e venda de gente, abuso de autoridade, torturas físicas e psicológicas, roubos, invasões de divisas foram traduzidos para mais de trinta idiomas.
Quando tomei fôlego, também afirmei que Jorge Amado fora o primeiro romancista a escrever sobre crianças que viviam nas ruas de Salvador em situação de risco social, “veja bem”, falei: “isto, lá em 1937, no livro Capitães da Areia”, Eurídice Campos, professora pós-graduada em filosofia pela PUC-Minas, suspirou fundou e exteriorizou outro pensamento: “Ai que saco. Não sei pra que fui tocar nesse assunto, viu?!!

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