Gonzaguinha, ídolo meu

O ano é 1981. O local, Teatro Fênix lotado com uma plateia em transe. Muitos olhares marejados miram no rumo do palco, local em um que um artista se doa sem cuidados ou reservas. Quem assistir ao DVD com o show de Gonzaguinha vai ver um cantor corajoso e que evidencia do primeiro ao último minuto que está ao lado do povo.

No repertório, canções conhecidas como Ponto de interrogação, Sangrando e Não dá mais pra segurar. Um momento reflexivo no espetáculo ocorre na hora em que Gonzaguinha diz: “Violência não é só quando um policial bate o cassetete na cabeça da gente. Violência também é não ter direito à cultura, à saúde, à felicidade ou a liberdade”.

Passados 35 anos desde a gravação deste show, aprendi com as canções de Luiz Gonzaga do Nascimento Junior que o sentimento transformado em palavras é uma arma poderosa contra desigualdade, contra a ignorância, e sobretudo contra a tirania. A letra de Pequena memória para um tempo sem memória provoca emoção e traz para o presente um passado que não conheci, mas traduz o pavor de quem viveu ou morreu nos mil vezes desgraçados porões da ditadura.  

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