Por meio de uma linguagem acessível, a professora e doutora Anne Cauquelin torna comum dois assuntos profundos e complexos, o primeiro, arte, o segundo, seu comércio. Mesmo leitores inexperientes captam as principais ideias do texto.
Em CAUQUELIN, Anne. Arte Contemporânea: Uma Introdução [tradutora Rejane janowitzer]. – São Paulo: Martins, 2005, a autora discute questões importantes. Quem é o produtor de arte? Quem a consome? Quem a coleciona? Quem a comercializa ou define o que é ou o que não é arte? São perguntas feitas e respostas dadas pela autora.
E, “Pode alguém fazer obras que não sejam ‘de arte’?” Quem levantou esta questão é o enxadrista, pintor e artista plástico Marcel Duchamp. E como está no livro CABANNE, Pierre. Marcel Duchamp: engenheiro do tempo perdido. São Paulo: Perspectiva, 2002, pg 11, representa a desobediência às teorias e orientações lógicas. “Toda sua existência [ o escritor refere-se a duchamp] foi assinalada por esse “por que” e esses “como” sempre resolvidos por um “talvez” ou “para que”.
Mas, “Pode [ou não] alguém fazer obras que não seja de arte?” Se for levado em conta que é muito auto o preço a ser pago quando quase tudo é considerado arte, a resposta pode ser um sonoro “sim”. O mundo está repleto de picaretas que se julgam artistas e desandam a fazer idiotices que nada tem a ver com arte.
Por exemplo, em LLOSA, Mario Vargas. A linguagem das paixões, São Paulo: Arx, 2002. 343pg, o autor categoriza: “[…] Essa maneira de ”eleger-se artista” parece perdida para sempre entre os jovens impacientes e cínicos de hoje que aspiram tocar a glória de qualquer maneira, mesmo que seja empinando-se em uma montanha de merda paquidérmica.” Llosa refere-se a um artista que usa estrume de elefantes para compor suas obras.
Em GULLAR, Ferreira. Sobre arte sobre poesia (uma luz no chão). Rio de Janeiro: José Olympio. 2006, o autor deixa claro que “O artista plástico […] quando está concebendo a obra, não a pensa como parte de uma exposição, muito menos como parte de um evento; pelo contrário: a obra é um fim em si mesmo, expô-la é apenas o modo possível de torná-la pública”.
Porém, atualmente, o que está em cena é uma inversão de valores. Cada dia copia-se mais, expõe-se mais obras, para ganhar mais e mais dinheiro. Ninguém mais se surpreende se no meio de alguma exposição “rolar barracos”. Até baixarias são utilizadas como estratégias de marketing na busca por visibilidade.


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