Certas canções que ouço

Wilson Albino Pereira

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O último trabalho de Gonzaguinha intitulou-se “Cavaleiro Solitário” e seu lançamento foi póstumo. Motivo – numa manhã da segunda-feira, dia 29 abril de 1991, o cantor dirigia seu Monza SE, cor Bordô, ano 1990 em alta velocidade (de acordo perícia) na BR 280, quilômetro 181 e colidiu com uma caminhonete F400 branca, ano 1980.

O CD leva o mesmo nome do show e contém apenas 12 faixas. A maior parte das músicas são sucessos consagrados por intérpretes bastante conhecidas, tal qual Elis Regina, Maria Bethânia e Simone. Algumas canções remetem a dilemas e paixões, outras exaltam o humanismo, o que provoca a sensação de que foram compostas ontem.

“Certas canções que ouço” traduzem pessoas. É o caso de ‘Um homem também chora’, (faixa 3). A letra aponta o carinho e o trabalho como sendo coisas indispensáveis à vida de qualquer ser humano. Porém sinto que esta música é a “radiografia da alma de meu pai”. Aquele que mal sabia escrever o próprio nome, e talvez, por isso achava tão bonito alguém “atracado” a um livro. Mesmo sem ter leitura, era ele cheio de sabedorias. Quem lhe pedia opinião, ainda que fosse padre, policial ou professor ouvia do velho a franqueza no total.

“Meu filho, um homem não chora, ainda que lhe arranque pedaços”, dizia meu progenitor. É… Só eu sei como foi triste ver “meu homem guerreiro menino” chorar por causa de múltiplas internações. Mas antes do fim do fim a enfermidade não foi de tudo má. No caso do meu velho, a doença que atacou-lhe os rins também possibilitou-lhe experimentar tudo de bom que é cantado na canção do Gonzaguinha. “Carinho, ternura, abraço, candura, colo e por fim, descanso…”. meu pai, herói e tipo inesquecível teve tudo isso e muito mais.

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