Arte serve para quê, mesmo?

Wilson Albino Pereira

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Já duvidei que pergunta puxasse pergunta, mas quem cursou a disciplina “Arte e Estética” e conheceu as ideias de Pierre Cabanni, Anne Cauquelin e Ferreira Gullar compreendeu que a arte tem finalidades diversas: narrar, provocar, situar, contextualizar, ordenar e, inclusive, entreter.

Ao assistir um filme, quem se acomoda na poltrona diante de uma tela de cinema ou TV sabe, antecipadamente, que tudo não passa de encenação. No entanto, se, mesmo assim, a pessoa se indignar, chorar, xingar ou questionar, então, já foi provocada. O gancho arpado da arte, aquele ponto de interrogação em forma de anzol, acaba de fisgar mais um.

Quem se atraca a um livro, de qualquer gênero literário, e, com ele em punho, esquece o mundo lá fora, ao mergulhar verticalmente na história, tem consciência de que as coisas escritas ali podem não corresponder com a realidade. Mas quantas vezes o leitor se identifica com algum personagem e, a partir do livro, se pergunta: quem sou? De onde venho? Para onde irei após meu último brado? Qual meu papel social? Quais meus valores e minha visão de mundo? Qual minha opinião em relação a tal assunto? O que trago em minha bagagem cultural? Em contato com a arte, o leitor pode produzir respostas bem diversas, e complexas.image

A arte estrutura aspectos narrativos, linguísticos, rítmicos e estéticos, dentre outros. Por meio dela, aponta-se o estilo ou a completa ausência dele. Na arte, é possível encontrar informação ou diversão, dúvida e fé, certezas contrárias nascidas da mesma literatura religiosa. Quem busca respostas claras, elucidação e doutrinação por meio da arte talvez saia mais confuso. A arte também possui seus labirintos.

Por meio da arte, o homem renasceu senhor de si, das ciências, das serras, dos ares e dos mares. Ali, o homem registra sua eterna inquietação, sua incansável busca. O descontentamento humano com o presente, o sonho de retroceder no tempo para mudar o passado, e a tentativa de vislumbrar o futuro também são todos sentimentos deflagrados pela mesma arte.image

A arte proporciona conscientização sociopolítica quando incita a critica, quando facilita a compreensão e as idealizações, quando o homem se percebe falível nos ideais, perecível ao tempo e sujeito a ser escravo de seus próprios desejos e vícios. Neste ponto, a arte se faz mais presente do que nunca. Ela assume a vez do espelho, que revela parte da complexidade humana.wpid-20141126_145611-1.jpg.jpeg

Talvez haja, na arte, registro que possa explicar ou questionar o desejo que alguns homens têm de abreviar ou alongar a existência. O mais incrível é que o conjunto de transformações eterniza desenredos. Por meio da própria arte, alguns homens se tornam eternos.

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