
Wilson Albino Pereira
“Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda” (Cecília Meireles).
Se pudesse, Eduardo Martins de Carvalho, 22 anos, estudante, gastaria as veredas passeando por esse mundão. Primeiro, seus pés ‘beijariam’ o solo, depois, ignorariam escorregões, topadas e perfurações. Se sentisse câimbras, cravaria ainda com mais força os pés no pó desse chão, e, diria para si: “Estou proibido de desistir”. Em suas andanças, ia constatar que muito além do que seus olhos podem ver, tudo é horizonte.
Só no mundo do faz de conta, Eduardo exerce, plenamente, seu direito de ir e vir. Em seus sonhos fica de pé, anda ou corre sem precisar ser ajudado por familiares, ou por braços solidários de estranhos. Em sua imaginação, ele baila sem os incômodos tutores*, esses aparelhos que, comprimem demais seus tornozelos, a ponto, inclusive, de deixa-los em carne viva.

Eduardo demorou a nascer, e, isso causou-lhe paralisia cerebral, de acordo com as explicações de sua mãe, Dona Darci. Por esse motivo, diariamente, ele faz fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Atualmente, são necessários quatro ônibus para chegar aos destinos e cumprir sua agenda lotada de tarefas. Para regressar ao lar, são necessárias outras quatro conduções.

Além dos estudos e da natação, Eduardo também se dedica a jogar bocha, um esporte que requer tanto habilidade quanto inteligência. “É mesmo apaixonante. Precisa ter mais jeito que força”, afirma. Já perdeu a conta de quantos campeonatos participou. Quando perguntado qual é o segredo para conquistar tantas medalhas, ele diz que, não há segredo, é só querer. Edu ainda informa que, mesmo febril, ou com dores nos rins, e até mesmo com sangramento nasal, jamais abandonou uma competição.
Em uma conversa amigável, Eduardo abre o sorriso, a porta da casa e do coração. Entusiasmado, fala de coisas diversas, dentre essas, ler e escrever poesias. Também fala sobre seus sonhos, da importância da internet como ferramenta de inclusão social, e por fim, segreda amores.

Os textos escritos por Eduardo apresentam assuntos do cotidiano. Têm poesias e crônicas relacionados ao amor e à amizade. Já renderam pelo menos dez livros que, são reproduzidos sob encomenda e, distribuídos de forma independente.
Já conquistou boas amizades e troca ideias, diariamente, com pessoas residentes em outros estados. Tudo graças às redes sociais.“De outra forma, talvez, isso nunca seria possível”, alega.
Eduardo não se recorda qual foi a última vez que foi vitima de preconceito. diz que faz questão de perdoar e esquecer quaisquer ofensas. Prefere rememorar os bons momentos, as palavras carinho e incentivo que sempre recebe dos parceiros.
Se as limitações físicas dificultam a agilidade, a rapidez do raciocínio compensa o que falta. No pensamento, Edu é mesmo ligeiro. Suas respostas surgem no rastro das minhas perguntas…
Eu: Qual é seu maior sonho?
Ele: Ah, são muitos mas, andar sem precisar de ajuda, estudar direito, me casar e constituir família, são alguns deles.
Eu: Qual seu escritor preferido?
Ele: Cecília Meireles, pois adoro as poesias dela.
Eu: Qual a pessoa que você admira?
Ele: pode ser duas?
Eu: Claro.
Ele: Minha avó, Maria Marta Martins que, é tudo pra mim, e minha professora Sônia Queiroz, que me ensinou a ler e me incentiva a todo momento.
Eu: Qual é o artista que você mais curte?
Ele: Zezo, ‘o cantor apaixonado’, o melhor do mundo! Ah, conhecer ele também faz parte da minha lista de sonhos.
Eu: você disse que está apaixonado…?
Ele: É isso mesmo. Estou perdidamente, loucamente apaixonado. O nome dela é…
Infelizmente, caros leitores, não estou autorizado a revelar…


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