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Para Bem Além de “Gênero”
Casamento de Douglas Drumond e Luiz Silva Foto Arquivo pessoal
Por: Wilson Albino Pereira
“Foi ótimo. Em 14 de março de 2015, me casei com Luiz Antônio da Silva, na Igreja Escandinava, em São Paulo. A cerimônia religiosa foi celebrada pela pastora Lana, mas um juiz de paz também esteve presente, o que conferiu legitimidade jurídica ao ato.” É assim que o jornalista e empresário Douglas Drumond relata seu casamento.
Dois dias antes, S. M, produtora cultural, formada em comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também se casou: “Minha companheira e eu vivíamos juntas há 30 anos. Não houve festa, apenas um juiz de paz e duas testemunhas vieram até nossa casa para oficializar a união”.
Aos poucos, parece que as necessidades das minorias têm se firmado. S. M. garante que, há 3 décadas, era algo impensável o fato de duas mulheres ou dois homens se casarem. “No meio cultural, não sofri preconceito. As pessoas sabiam, olhavam de forma diferente para nós, mas ninguém falava nada”.
S.M. e a companheira nem chegaram a cogitar a ideia de adotar uma criança. “Ficamos com muito medo do que a sociedade poderia fazer com a cabeça de nosso filho”, destaca. Douglas e Luiz Antônio sonham com a adoção, mas a ideia de inseminação artificial ainda é estudada. Para o jornalista, não há diferença entre famílias hetero ou homossexuais. “O importante é que se definam os papeis”, acredita. Ao longo da vida, Douglas sofreu diversos preconceitos, inclusive, no meio familiar, já que seu pai o abandonou ainda na adolescência.
Panorama atual
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, no Brasil, realizaram-se 3.701 casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Destes, 1.926 entre mulheres (52%) e 1.775 entre homens (48%). A maior proporção de casamentos homossexuais concentra-se no Sudeste (65,1%). O estado de São Paulo reúne 80,8% do total da região e mais da metade do país: 1.945 casórios homoafetivos, ou 52% do total nacional, apenas em 2013, seguido por Rio de Janeiro (211) e Minas Gerais (209).
As pessoas favoráveis ao casamento gay acreditam que seja uma questão de justiça, pois garante direitos. Além disso, no que se refere às crianças, se adotadas, elas serão educadas e receberão afeto e atenção, além de aprender valores – atitudes bem contrárias às de tantos casais héteros, que concebem e, em muitos casos, simplesmente abandonam os filhos.
Quem reprova a união homoafetiva, geralmente, aponta dedos acusadores, apela para a moral e os bons costumes e considera o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo uma ameaça à família, à sociedade e à saúde psicológica das crianças a serem adotadas. Os simpatizantes do polêmico projeto “Cura Gay” são provas disso. “Depois da união civil, virá a adoção de crianças por parceiros gays, a extinção das palavras pai e mãe, a destruição da família”, afirmou o deputado Marco Feliciano.
Desde 14 de março de 2013, por 14 votos favoráveis e apenas 1 contra, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou o ato que obriga cartórios a realizar qualquer tipo de união homossexual no país. A decisão aconteceu dois anos após esse tipo de união ter sido aprovada, unanimemente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o artigo primeiro da resolução: “É vedado às autoridades competentes [nesse caso, os cartórios] a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo, Resolução nº 175, de 14/05/2013, aprovada durante a 169ª Sessão Plénária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)”.
No mundo
Em 24 de maio de 2015, na Irlanda, em referendo, 62% dos votos foram favoráveis ao casamento gay, resultado importante para a comunidade internacional, pois se trata de um país católico onde, até 1993, homossexuais eram punidos com prisão. Em certos países árabes, quem se relaciona, sexualmente, com alguém do mesmo sexo, ainda corre sérios riscos de passar o resto da vida trancafiado. Em Uganda e na Nigéria, gays são tratados como subanimais.
Nos Estados Unidos, o quadro é bem diferente. Além do distrito da Columbia, 37 estados americanos aprovaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, 26 por decisão judicial, oito por lei estadual e três por voto popular. Reportagem da BBC Brasil mostra que, desde 2013, a Suprema Corte decidiu que gays casados devem ter direitos aos mesmos benefícios que casais heteros.
No estado da Georgia, nos EUA, isso representa, atualmente, uma conquista política e uma grande movimentação financeira, pois, a partir da decisão, criaram-se muitas agências matrimoniais com exclusividade para gays.
Algumas pessoas assumidamente gays concederam entrevista a esta reportagem e toparam falar sobre homoafetividade e preconceito.
Confira os depoimentos:
Bruno Fernando, estudante, de 25 anos, ressalta: “Falar sobre união homoafetiva só não é tabu quando o assunto está relacionado ao filho do vizinho ou ao amigo. As relações no meio GLS não são tão duradouras. Sonho em me casar, mas não desejo cerimônia pomposa. Também sonho em ter um filho, deve ser algo mágico, mas adotar crianças, sobretudo as que foram abandonadas, pode ser uma maneira de criar cidadãos mais conscientes e menos preconceituosos”.
L., 27, técnico Industrial, vive um relacionamento estável há quatro anos. As famílias de ambos sabem, aprovam e apoiam. Ainda assim, considera a união homoafetiva um tabu. “Evitamos carinhos em público. Nunca sofri discriminação, mas, com tanta gente louca à solta, o melhor é prevenir.” S. L. nunca pensou em ter filhos ou em se casar. Sonha com a compra da casa, com independência financeira e em ser feliz.
Pós-graduado em Fisioterapia e professor universitário, H. S. diz já ter sofrido preconceito, inclusive de outros gays. Namora, mas não vive com o parceiro. Tem pretensões de se casar e de festejar o momento. “União homoafetiva é um assunto delicado. De um tempo para cá, abriu-se um espaço maior. Entretanto, falta habilidade para lidar com o tema de forma natural. Acredito que a estrutura familiar entre héteros e gays nada tenha a ver. Sou gay e meus pais são héteros. O Chicão (Francisco de Ribeiro Eller) é hétero e suas mães, Cassia Eller e Maria Eugênia Vieira Martins, eram gays”.
L., 20, estudante de publicidade, sonha com casamento, benção e festa. Não só a homofetividade, mas o sexo também é tabu. Contudo, dependendo do lugar e das pessoas que estão na conversa, talvez deixe de ser tão polêmico. “Para dar esta entrevista, pensei muito, pois já sofri preconceito quando criança. Talvez porque era mais aparente meu jeito afeminado.”
M.E, 29, auxiliar administrativa e estudante de serviço social: “A homoafetividade não deixou de ser um tabu. É fácil perceber o quanto as pessoas ainda se incomodam ao falar sobre o assunto, mesmo nos ambientes acadêmicos, onde esperávamos que as pessoas tivessem a mente mais aberta”. Em sua opinião, o que une duas pessoas é o amor, o respeito e o companheirismo. “Minha namorada e eu sonhamos em viver numa sociedade onde as pessoas se importem mais com problemas relevantes, não gastando energia em se preocupar com relacionamentos que não afetam em nada a vida pessoal de cada um. Sonhamos, também, em adotar duas meninas. Pretendemos educá-las, a fim de que não se tornem pessoas preconceituosas”.
Camilo Santos interpretando sua personagem – Janecrilza Jane Capotão – Foto arquivo pessoal
Camilo Santos, 30, ator profissional, ganha a vida por meio das apresentações que faz em palcos paraibanos. Via rede social, informou que nunca foi vítima de preconceito por ser gay. Não sonha em se casar ou em adotar filhos, mas em ser feliz e poder se relacionar muito bem com quem está a seu redor. Ele acredita que uma família formada por héteros ou homossexuais em nada se diferencia. “O importante é que, na base familiar, haja respeito, educação e o mais indispensável: amor”.
Muito bacana! Sonho em me casar, mas o meio gay está muito, mas muito promíscuo. Só acho sexo. Não encontro amor. Nunca adotaria crianças, porque não curto crianças. Apenas dos outros. Não tenhp problemas em falar de sexo, de fantasias e tal, mas, acima de tudo, me considero super normal.
Um assunto que nos últimos dias vem ganhando maior proporção na sociedade e aberto diversas discussões. Belo texto Wolson! Mais amor e respeito para todos.
Lindo texto , a sociedade agora já está mais acostumada, pois aqui no Sul onde moro ainda a muito preconceito sobre este assunto, até os próprios pais, não aceitam ainda a opção sexual de seus filhos ou filhas…adorei muito bom…
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