
“Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11:29)
Wilson Albino Pereira
Ela havia terminado um plantão de 24h, e pacientemente, aguardava o esposo quando, percebi em suas mãos duas pastas, uma sacola e uma bolsa. Ofereci ajuda. Ela aceitou. Quis saber meu nome, informei. Mas, quando perguntei o nome dela… Um sorriso capaz de iluminar uma sala precedeu a resposta:
“– É Regina.”
A delicadeza de seus gestos situou-me – ali reluzia uma lady –, só apresentava semelhanças com pinturas harmoniosas. Afora isso, fui flagrado pela fragrância do perfume “L’aqua di Góia”, seu predileto. Ainda hoje, se alguma brisa ‘desavisada’ traz aquele cheiro, o passado “se faz presente”. Mesmo com o saguão onde funciona a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) lotado, naquela manhã, só ela se destacava.
No momento em que Regina já ia embora, porteiros, auxiliares de limpeza e alguns médicos, seus colegas de profissão, lhe acenaram. Ela sorriu e acenou de volta. Daquele minuto em diante, colhi informações relacionadas à mulher que, humaniza a atmosfera quando trata a todos ‘amigueiramente’, sem ressalvas, distinções ou fingimentos.
Demorou pouco até eu descobrir que Regina é natural de Bom Despacho, formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e, é casada há mais de 30 anos com Júlio César Albertino Rodrigues, advogado. Também soube que, da união nasceu um casal de filhos, e que Regina já tem um netinho. Ademais, sei que ela gosta do cheiro de terra molhada, prefere a cor bege, ama bacalhoada, abacaxi, laranja, mexerica e, torce para o Cruzeiro.
Regina Coeli Magalhães Rodrigues é múltipla. Tanto que, este texto poderia ser sobre: a) esposa; b) mãe; c) filha; d) avó; ou e) professora universitária. Embora partilhar saberes também seja sua paixão, o que de fato norteia sua vida é o amor que sente pela família.
Portanto, angulações diversas poderiam ser dadas a este perfil mas, foquei na Regina médica, humanista e inclusiva. A profissional que se imagina sempre em lugar de outrem na agonia da dor. O ser humano que sente por meio do olhar quando, alguém pertencente ao grupo de trabalho, não está emocionalmente legal. Regina valoriza as qualidades, crenças e desejos alheios.
A Drª Regina ocupa o cargo de médica reguladora na Central de Internações de Belo Horizonte, (CINT-BH). É auxiliada por equipes que buscam leitos em hospitais especializados. Seu ofício requer tato e minúcia pois, as vagas disponibilizadas nunca atendem a demanda. Ao encontrar os leitos almejados, Regina, que tem a fé como o alicerce da vida, contagia a todos, quando agradece a Deus entre lágrimas, sorrisos e orações.
Vale ressaltar que muitos pacientes infartados, oncológicos, renais ou portadores do vírus HIV, por exemplo, se conseguem internação, é, de acordo com a Doutora, mérito da equipe que, já inicia os plantões ‘engrenada’, motivada, empática… Cuidar de gente é mesmo uma arte. Algo impossível de expressar só por meio de palavras.
Indiferente nunca, soberba jamais. Mesmo ao final dos plantões de 24 horas, seu olhar emana ternura. “Meu trabalho é minha vida. Sou muito feliz com a escolha da minha profissão”, afirma. Se quisesse, já poderia ter se aposentado há pelo menos sete mas, não consegue se ver longe de suas atividades. Seu nome é Regina Coeli Magalhães Rodrigues porém, há quem a considere a Doutora amor.

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