![Liberdade_em_equilíbrio_-_monumento_construído_por_Mary_Vieira_(1)[1]](https://dusoutros.com/wp-content/uploads/2015/05/liberdade_em_equilc3adbrio_-_monumento_construc3addo_por_mary_vieira_11.jpg?w=496&h=661)
Por Wilson Albino pereira
Os desavisados que passam por ali têm, subitamente as narinas invadidas pelo fedor proveniente da urina e das fezes de quem vive no local. À luz do dia, prostitutas e travestis “em fim de carreira”, se vendem por cinco reais, ou até por menos. Em certos dias, um maço de cigarros é o pagamento pelos serviços sexuais prestados.
Desgrenhados e envolvidos em cobertores imundos, mendigos, alcoólatras e ‘craqueiros’ transitam no centro e no entorno do espaço público. Alguns marcham e batem continências, outros ninam a si próprios mas, a grande maioria vive em estado catatônico, contemplando o nada.
Não devia mas, essa é a rotina entre os cruzamentos das Avenidas Santos Dumont e Paraná, e das Ruas Curitiba e Caetés. Essas coordenadas correspondem à localização da Praça Barão do Rio Branco, popularmente conhecida como a Praça da Rodoviária.
O que era para ser belo se apresenta como grotesco. Tal fato inverte a lógica em alguns espaços públicos na Capital das alterosas. Talvez, nada destoe mais que o nome Liberdade em Equilíbrio, título do monumento feito de concreto armado, que mede 21m e ocupa a área central dessa praça. Em seu interior, na parte coberta da escultura, viciados em drogas disputam um espaço a socos e ponta pés.
Não é preciso ser especialista para perceber que, meio às arvores, serras e botecos, os espaços públicos, mais precisamente as praças, apresentam considerável redução no número de frequentadores. “Os tóxicos tornaram este lugar uma desgraça.” São palavras de Antônio Fernandes, 66, aposentado. “Há 20 anos, não era essa pouca vergonha não. Tem gente que desembarca do ônibus na rodoviária e ao passar por aqui é assaltado. Quem mora aqui, se vier à praça para arejar as ideias, corre até o risco ser assassinado. Acho que não tem como piorar mais”, lamenta.
Ao longo da semana, as celebrações de cultos, a venda de produtos homeopáticos ou as apresentações de mágica dividem o ambiente. Os roubos, as brigas e o consumo de drogas ocorrem frequentemente. O que aumenta a sensação de insegurança vivenciada pelos belorizontinos.
Ilza Maria, 54, vendedora, afirma que “Cidadão honesto, gente trabalhadora, não fica parada ali, naquele antro.” De segunda a sábado, ela atravessa a Praça Barão do Rio Branco só para ‘encurtar’ caminho, informa. Diz já ter visto tanta coisa acontecer ali que nem é bom recordar. “Para servir o senhor deus crack, tem gente capaz de tudo, até matar.” Informa.
A inexistência de mares ou excesso de bares serviu para popularizar ainda mais a fama da cidade planejada e inspirada à imagem e semelhança de Washington nos Estados Unidos, entretanto a violência, o tráfico de drogas e a prostituição alcançaram patamares alarmantes e talvez irreversíveis. Por isso, a população da Cidade Jardim busca diversão em lugares mais seguros. Depois de passada onda dos ‘rolezinhos’, shoppings tem sido opção. “Será mesmo que a praça [ainda] é do povo como o céu é do condor”, tal qual afirmou Castro Alves?
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